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Congresso deveria sobretaxar as bets, diz Alexandre Padilha à CNN, 300 mil já se autoexcluíram e governo anuncia teleatendimento para tratar compulsão e financiar saúde

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O ministro Alexandre Padilha afirmou que é necessário que o Congresso avance na taxação das empresas de apostas eletrônicas para destinar recursos à saúde e à segurança pública.

Padilha também informou que quase 300 mil pessoas já se autoexcluíram das plataformas de apostas eletrônicas, medida que, segundo ele, reduz o acesso a propagandas e contatos das empresas e ajuda no combate à compulsão.

O Ministério da Saúde lançará, a partir de março, um serviço de teleatendimento para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas, com psicólogos e psiquiatras à distância, para aumentar o conforto no atendimento e a procura por tratamento, conforme informação divulgada pela CNN.

Autoexclusão e teleatendimento

Padilha destacou que quase 300 mil pessoas já se autoexcluíram das plataformas, um mecanismo que impede o recebimento de propagandas e chamados das empresas de apostas. Para o ministro, essa é uma ferramenta de proteção importante para quem tem comportamento compulsivo.

Sobre o novo serviço, Padilha explicou, em entrevista, que “O que a gente percebeu? Que dificilmente essa pessoa procura um serviço de saúde. A gente tem registrado, em 2025, menos de 10 mil atendimentos nos serviços de saúde, mesmo nos CAPs”. Com isso, o teleatendimento pretende facilitar o primeiro contato com profissionais de saúde.

Proposta de sobretaxação e destino dos recursos

O ministro defendeu enfaticamente a cobrança adicional das empresas de apostas, argumentando que parte dos recursos gerados deve ser aplicada em áreas essenciais. Em suas palavras, “Por isso, eu considero muito grave, no debate que está tendo, a gente não avançar na taxação dessas bets para reforçar as ações de segurança pública e também recursos para a área da saúde”.

Padilha lembrou que a regulamentação inicial trouxe receita ao país e que, por isso, é preciso direcionar parte desses valores para políticas públicas. Ele afirmou ainda que “É uma atividade que está gerando muito recurso, não tem como você impedir. Regular é melhor do que tentar impedir, mas esses recursos têm que ser destinados para reforçar as ações de segurança pública e as áreas da saúde também”.

Por que o atendimento remoto é considerado estratégico

Segundo o ministro, muitas pessoas com problemas de jogo têm vergonha ou medo do estigma, e por isso evitam procurar serviços presenciais. O teleatendimento oferece anonimato e facilidade de acesso, o que pode aumentar a procura por tratamento.

Padilha ressaltou que “A gente tem percebido que isso é uma forma que as pessoas têm mais conforto para buscar essa consulta e, com isso, cuidar dessa compulsão”. A expectativa é que o novo serviço, disponível a partir de março, complemente a rede de atenção em saúde mental.

Impacto esperado e próximos passos

Além do teleatendimento, autoridades e especialistas vão acompanhar a evolução das autoexclusões e dos atendimentos para avaliar a eficácia das medidas. A proposta de sobretaxação precisará ser debatida no Congresso, onde Padilha e outros representantes esperam obter apoio para destinar recursos às áreas mais afetadas.

As declarações e os dados citados foram divulgados em entrevista de Alexandre Padilha à CNN, e o ministério afirma que a iniciativa busca reduzir danos e ampliar o acesso a tratamentos para pessoas com transtorno de jogo.