A resposta militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já pressiona os preços do petróleo e gás, mas a intensidade da alta dependerá da duração da campanha e do impacto no Estreito de Ormuz
Os primeiros sinais do mercado vieram na noite de domingo, quando os futuros reagiram com forte alta, refletindo temor por interrupções no fornecimento e por escalada regional.
Além do petróleo, os preços do gás e das margens de refino tendem a subir, o que pode se traduzir em aumento da gasolina e pressão inflacionária global.
As informações e dados sobre movimentos de preços, capacidade de produção e riscos logísticos usados neste texto foram compilados a partir das reportagens e análises reunidas pela CNN, que serviram de base para as estimativas do mercado, conforme informação divulgada pela CNN.
Por que o Irã mexe nos preços do petróleo e gás
O Irã é um grande produtor e detém, segundo a Opep, a terceira maior reserva comprovada de petróleo do mundo, o que já o torna central para a oferta global. Além disso, o país controla o lado norte do Estreito de Ormuz, via marítima vital para embarques de petróleo bruto.
Na prática, qualquer risco sobre o abastecimento iraniano ou sobre rotas que levam óleo de países como Arábia Saudita e Kuwait eleva o prêmio de risco do mercado, porque os barris são fungíveis e substitutos precisam ser buscados em outros fornecedores.
Estreito de Ormuz, fluxo e cenário de aperto
Segundo a Administração de Informação Energética dos EUA, “Cerca de 20 milhões de barris de petróleo, ou cerca de um quinto da produção global diária, passam pelo estreito todos os dias”, o que torna qualquer ameaça à passagem, um risco imediato para preços.
A Goldman Sachs estimou que os preços do petróleo poderiam ultrapassar US$ 100 por barril se houvesse uma “interrupção prolongada” no estreito. Especialistas alertam também para o risco de ataques a instalações de produção, onde equipamentos especializados, como os da usina de Abqaiq, não são facilmente substituíveis.
Movimento do mercado e previsões de alta
Na abertura do pregão após os ataques, os futuros registraram um forte salto, com “salto de 12% na abertura tanto para o Brent quanto para o WTI”, reação que mostra nervosismo imediato dos investidores.
Quanto à magnitude da alta, as estimativas variam com o cenário: Clayton Seigle, do Centro de Relações Estratégicas e Internacionais, escreveu que “Como o petróleo é uma commodity global e fungível, qualquer interrupção em qualquer lugar afeta os preços em todos os lugares”, e estimou que “a perda dos barris iranianos levaria a China a buscar suprimentos substitutos”, o que faria o “preço do petróleo bruto subiria pelo menos US$ 10-12”.
Por seu turno, Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, afirmou que “os preços do petróleo podem subir até US$ 5 por barril, se não mais” em reação à atual escalada. Bob McNally, do Rapidan Energy Group, prevê “uma alta generalizada” nos preços do Brent e do WTI e nas margens dos produtos refinados.
Impacto sobre gasolina, gás e consumidores
O risco de alta nos preços do petróleo e gás tende a se refletir rapidamente no preço da gasolina e em pressões inflacionárias. Nos EUA, por exemplo, “os preços da gasolina em todo o país estão em média em US$ 2,98”, nível que pode voltar a subir se a tensão se mantiver.
Economias asiáticas, como China e Índia, seriam especialmente expostas a um corte persistente nas exportações iranianas. A corrida por óleo substituto pode elevar o preço global, e países importadores poderão competir por volumes disponíveis.
Cenários possíveis e o que observar
O desfecho dependerá de quatro variáveis principais, que o mercado acompanhará de perto: a duração da campanha militar, se o Estreito de Ormuz será efetivamente bloqueado, ataques a grandes instalações de produção em países exportadores, e as respostas de consumidores e traders, como a China abrir mão de barris iranianos.
Se o Estreito permanecer navegável e ataques a instalações críticas forem evitados, a alta pode ser pontual, com recuo após sinais de desescalada. Se houver interrupção prolongada, previsões como a da Goldman Sachs e de analistas independentes sugerem elevações mais fortes e duradouras nos preços do petróleo e gás.
Em resumo, os movimentos imediatos já mostram aumento do prêmio de risco, e cabe a investidores, governos e consumidores monitorarem desenvolvimentos no campo e nos mercados, porque os efeitos podem se espalhar rapidamente entre Brent, WTI, combustíveis e gás.