Nos últimos dias, o Colégio Pedro II passou a ser destaque nacional após a divulgação de uma investigação sobre violência sexual envolvendo adolescentes, o que levou a instituição a adotar medidas disciplinares imediatas.
Dois dos cinco investigados, conforme as apurações, estudam em campi do colégio, e a direção informou que abriu processo administrativo para o desligamento dos envolvidos.
As informações sobre o caso, as medidas adotadas pela instituição e dados históricos do colégio foram prestadas pela própria escola e divulgadas em nota, conforme informação divulgada pela CNN Brasil.
Origem, arquitetura e papel histórico
O Colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837, sendo apontado como a primeira instituição secundarista do Brasil, e sua origem remonta a 1739, com o Colégio dos Órfãos de São Pedro.
Em 1766, a instituição foi transferida para o prédio onde hoje está o Campus Centro, na Avenida Marechal Floriano, 80, no centro do Rio de Janeiro, cuja sede é referência da arquitetura neoclássica brasileira.
O edifício foi reformado por Grandjean de Montigny e ampliado em 1874 por Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, e em 1875 ganhou o Salão Nobre, espaço que frequentemente recebia o Imperador Pedro II e que foi tombado pelo Patrimônio Histórico em 1983.
Ex-alunos, oferta educativa e alcance atual
Ao longo de quase dois séculos, o colégio formou personalidades como os ex-presidentes Nilo Peçanha e Washington Luís, juristas como Luiz Fux e Marco Aurélio Mello, os escritores Manuel Bandeira e Joaquim Nabuco, além de artistas como Fernanda Montenegro, Arlindo Cruz e Denise Fraga.
Hoje a rede atende mais de 12 mil alunos, distribuídos em 14 campi na capital fluminense e região metropolitana, e oferece desde Educação Infantil até Pós-Graduação.
Desde 2012, o Colégio Pedro II foi equiparado aos Institutos Federais, o que diversificou sua oferta educativa, com ingresso por sorteio público ou provas anuais.
Caso investigado e medidas anunciadas pela instituição
Segundo a nota divulgada pela direção do campus, dois dos envolvidos são estudantes da unidade, e a gestão informou o início do procedimento de desligamento em conjunto com a Reitoria, sob orientação da Procuradoria Federal.
Um dos estudantes identificado foi Vitor Hugo Oliveira Simonin, maior de idade, e o outro é menor, cuja identidade foi preservada, conforme as regras que protegem adolescentes.
A instituição afirmou ter adotado providências como o acolhimento à família da vítima, mantendo o sigilo conforme orientação das autoridades, e disse que segue à disposição para colaborar com as investigações.
Nota oficial divulgada pela instituição
Em comunicado, o Colégio Pedro II destacou a postura institucional e descreveu as medidas tomadas. A íntegra da nota divulgada pela instituição afirma, na sequência,
“A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II se manifestaram sobre o caso de violência sexual investigado pela Polícia Civil e divulgado nos noticiários. Em nota, a instituição informou que dois dos envolvidos estudam na unidade e que foi iniciado processo para o desligamento de ambos.
De acordo com o comunicado, um dos alunos é Vitor Hugo Oliveira Simonin, maior de idade. O outro estudante é menor e, por isso, não teve a identidade revelada.
Segundo o colégio, assim que tomou conhecimento do caso, a gestão do Campus Humaitá II adotou as providências cabíveis, incluindo o acolhimento à família da vítima, com manutenção do sigilo conforme orientação das autoridades competentes.
A instituição informou ainda que o procedimento de desligamento foi aberto em conjunto com a Reitoria e sob orientação da Procuradoria Federal.
Na nota, o Colégio Pedro II declarou que repudia toda forma de violência e reafirmou sua política institucional de combate ao assédio, à violência de gênero e a qualquer tipo de discriminação. A direção do campus e a Reitoria também manifestaram solidariedade às mulheres da comunidade escolar e informaram que permanecem à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Por fim, a instituição afirmou que seguirá adotando as medidas consideradas necessárias diante da gravidade da situação.”
O caso segue em investigação pela Polícia Civil, e a instituição disse que continuará colaborando com as apurações e prestando apoio às partes envolvidas.