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CNA Defende Redução da Dependência de Fertilizantes Importados e Busca Autossuficiência Pós-Eleições

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Redução da dependência de fertilizantes importados é prioridade para o agronegócio brasileiro, mas ações efetivas só após eleições.

A crise global na oferta de fertilizantes, intensificada pela guerra no Oriente Médio, tem levantado discussões urgentes sobre a necessidade de o agronegócio brasileiro reduzir sua dependência de insumos químicos importados. A busca por autossuficiência é vista como crucial para a viabilidade econômica e a estabilidade do setor.

No entanto, segundo Gedeão Pereira, vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), as medidas concretas para alcançar essa meta só devem ser implementadas após as eleições nacionais de outubro. A incerteza sobre o futuro governo e suas prioridades adia os planos de ação.

A CNA tem dialogado com o Ministério da Agricultura e buscará sentar com o futuro governante para discutir estratégias de incentivo a um plano de autossuficiência. A preocupação com a dependência de insumos importados é um dos pontos centrais, conforme informado à CNN Brasil.

Gargalos logísticos e de combustíveis agravam o cenário para o agronegócio

Além da questão dos fertilizantes, o setor do agronegócio brasileiro enfrenta outros gargalos que impactam diretamente sua competitividade. A logística, os custos de frete e a infraestrutura precária são apontados como fatores que elevam os custos operacionais e diminuem as margens de lucro.

A liderança da CNA também destacou a solicitação para o aumento da mistura do biodiesel no diesel e as negociações com o Ministério de Minas e Energia para mitigar as incertezas relacionadas aos custos elevados dos combustíveis. Esses fatores, somados à dependência de fertilizantes, criam um cenário de pressão sobre a atividade agropecuária nacional.

“Como uma potência do agronegócio global, o Brasil precisa de alternativas para consolidar ainda mais a sua posição. Precisamos sentar com o próximo governo para destacar o desenvolvimento dessa autossuficiência”, reforçou Pereira.

Autossuficiência total é vista como inviável, mas redução da dependência é meta

Apesar do desejo de autossuficiência, representantes do setor admitem que um suprimento completo com produção interna pode ser inviável, dada a atual magnitude das importações. Contudo, a redução dessa dependência é considerada uma meta alcançável e necessária.

A ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina comentou que o Plano Nacional de Fertilizantes, que visava aumentar a produção interna, não avançou como o esperado. Segundo ela, o progso do plano depende de iniciativa, principalmente do Poder Executivo, com a iniciativa privada atuando em parceria.

Crise internacional de fertilizantes e rotas alternativas de exportação

As restrições de exportação de fertilizantes nitrogenados pela China e a interrupção temporária das exportações de nitrato de amônio pela Rússia são fatores cruciais que afetam os preços e a demanda global. O estreito de Ormuz, principal rota de passagem desses insumos, tem sido palco de tensões militares, aumentando a preocupação com o abastecimento.

Em resposta a essas dificuldades logísticas, o Brasil conseguiu assegurar uma rota alternativa para o escoamento de suas exportações agropecuárias através da Turquia. Essa solução foi articulada pelo Ministério da Agricultura para minimizar impactos no comércio exterior, especialmente com destinos na Ásia e no Oriente Médio.

O Ministério da Agricultura tem mantido um monitoramento contínuo da cadeia de suprimentos e dialoga com os atores do setor para avaliar soluções logísticas. O ministro Carlos Fávaro tem recomendado cautela na compra de fertilizantes, diante da instabilidade do mercado internacional e da alta especulação sobre os preços.

“A orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, afirmou o ministro. Ele ressaltou que a melhor forma de combater a especulação é não comprar quando os preços estão artificialmente elevados, visando um cenário mais estável para o abastecimento de insumos essenciais ao país.