TRE-AP cassa mandato de suplente de vereador por ligação com facção criminosa e abuso de poder econômico nas eleições
Uma decisão histórica foi proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), que atendeu a um recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE) e **cassou o diploma do suplente de vereador de Macapá, Luanderson de Oliveira Alves, conhecido como “Caçula”**. A Corte reconheceu que o político se beneficiou da estrutura e do domínio territorial da facção criminosa **Família Terror do Amapá (FTA)** durante as eleições municipais de 2024.
A decisão não para por aí, pois além da cassação do mandato, o TRE-AP também declarou a **inelegibilidade de Luanderson por oito anos**. Outra condenação partiu para Rosemiro de Carvalho Freitas, o “Bira”, apontado como intermediário na negociação com a facção, que recebeu a mesma pena de inelegibilidade.
Luanderson de Oliveira Alves é filiado ao PSD (Partido Social Democrático), legenda do atual prefeito de Macapá, Antônios Paula de Oliveira Furlan, o “Dr. Furlan”, que cumpre dois mandatos consecutivos e é candidato ao governo do Amapá. A investigação do MPE revelou que o suplente cometeu **abuso de poder econômico** ao usar a força e o controle territorial da facção FTA para impulsionar sua campanha eleitoral.
Apoio Político Mediante Negociação com o Crime Organizado
As investigações apontam que Luanderson obteve apoio político **”mediante negociação com lideranças territoriais do crime organizado”**. Segundo o MPE, essa atuação foi destacada em comunidades como o Residencial Macapaba, um conjunto habitacional com mais de 30 mil moradores na capital amapaense. A dinâmica dessa negociação foi detalhada pela procuradora regional eleitoral no Amapá, Sarah Cavalcanti, durante o julgamento do recurso no TRE-AP.
Sarah Cavalcanti explicou que Rosemiro de Carvalho Freitas, o “Bira”, é uma **”liderança conhecida da facção”** e não alguém periférico na estrutura do grupo criminoso. Ele é descrito como alguém que realmente toma decisões e define encaminhamentos. Luanderson teria mantido diálogos com “Bira” para mobilizar o que eles chamam de **”cabeças de bairro”**, pessoas que lideram as comunidades e que são cruciais para a articulação política.
Comunidades Transformadas em “Currais Eleitorais” pelo Medo
A procuradora relatou que Luanderson, inclusive, **”é faccionado”** e buscou o apoio da facção por meio de Rosemiro para se candidatar. Rosemiro, por sua vez, confirmou que daria esse apoio. No recurso enviado ao TRE-AP, o MPE destacou que o **”controle armado exercido pela facção atuou como o principal ativo econômico da campanha”** de Luanderson.
O órgão ministerial concluiu que, ao **transformar comunidades inteiras em “currais eleitorais fechados”**, a organização criminosa poupou o candidato de altos custos com propaganda e cabos eleitorais. Essa prática substituiu o livre convencimento democrático pelo **”império do medo e da coerção”**, caracterizando o abuso de poder econômico e o uso da estrutura criminosa em benefício próprio.
A decisão do TRE-AP ainda **cabe recurso**. A CNN Brasil tenta contato com as defesas de Luanderson de Oliveira Alves e Rosemiro de Carvalho Freitas para manifestação sobre o caso.
