Caso Porsche: Ex-namorada de Sastre Filho levada à força para depor em júri, causando tumulto
O primeiro dia do júri popular do caso de Fernando Sastre Filho, acusado de atropelar e matar o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, foi marcado por um incidente incomum: a condução coercitiva de Giovanna Pinheiro Silva, ex-namorada do réu.
A determinação judicial, que obrigou Giovanna a comparecer ao Fórum na condição de testemunha, gerou um atraso de aproximadamente duas horas no início dos trabalhos. A situação gerou apreensão e questionamentos sobre os procedimentos legais aplicados.
A defesa de Fernando Sastre alegou que houve um equívoco por parte do Judiciário ao incluir o nome da ex-namorada na lista de testemunhas, afirmando não haver mais interesse em ouvi-la. Contudo, sem uma dispensa oficial, ela foi escoltada por policiais até o local, conforme informações divulgadas pelo TJSP.
Interrupção e pedido de multa durante depoimento
Durante o depoimento de uma testemunha ocular, Nathalia Santanna Viana Lima, Giovanna Pinheiro Silva, presente no plenário, fez um gesto com a cabeça. A atitude foi percebida pela banca de acusação, que reagiu imediatamente.
Os representantes da acusação solicitaram a expulsão de Giovanna do local e a aplicação de uma multa de 15 salários mínimos. A juíza Melanie Liesenberg acatou o pedido de expulsão, mas decidiu que a avaliação sobre a multa seria feita apenas após o encerramento do julgamento principal.
Posição de Giovanna no processo
É importante ressaltar que, no momento da condução e do depoimento, Giovanna Pinheiro Silva não possuía defesa constituída, pois atuava estritamente como testemunha, e não como ré no processo. A reportagem buscou contato com ela, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
Expectativa para o desfecho do julgamento
A Justiça de São Paulo estima que o julgamento de Fernando Sastre Filho seja concluído nesta quinta-feira, 29 de agosto. O próprio réu será ouvido ainda hoje, e após a conclusão das oitivas e seu depoimento, o Conselho de Sentença decidirá sobre sua culpa ou inocência.
Fontes do Ministério Público expressaram à CNN Brasil a expectativa de que seja aplicada a pena máxima contra o acusado. Fernando Sastre Filho responde por homicídio qualificado por “perigo comum” com dolo eventual, além de lesão corporal grave, referente aos ferimentos sofridos pelo estudante Marcus Vinicius Machado, amigo do réu e que estava no veículo de luxo.
A defesa de Sastre, por sua vez, afirmou à CNN Brasil que a expectativa “é de um julgamento justo, com a desclassificação para uma conduta culposa, na modalidade da imprudência”.
Relembre o acidente
O trágico evento ocorreu na madrugada do domingo de Páscoa, em 31 de março de 2024, na avenida Salim Farah Maluf, em São Paulo. Fernando Sastre Filho dirigia seu Porsche em alta velocidade, atingindo a traseira do Sandero de Ornaldo da Silva Viana, que trafegava a cerca de 156 km/h em uma via com limite de 50 km/h. O empresário está preso preventivamente há pelo menos dois anos.
