Analista da Atlas diz que episódio do Carnaval e medidas econômicas foram fatores-chave para o estreitamento entre Lula e Flávio em pesquisa do segundo turno 2026, segundo levantamento
Três semanas após os desfiles, a leitura política, a repercussão nas redes sociais e decisões de governo aparecem como forças que alteraram a dinâmica da disputa pelo segundo turno de 2026. O resultado é um cenário de empate técnico entre os dois polos maiores, segundo a pesquisa.
O impacto direto do Carnaval, especialmente a sátira exibida pela escola de samba que homenageou o presidente, ganhou destaque nas análises e ajudou a aproximar os três pontos percentuais que separavam os candidatos em levantamentos anteriores.
As demais variáveis incluem fatos no campo econômico e episódios envolvendo instituições, fatores que, combinados, explicam a oscilação nas intenções de voto e na avaliação do governo, conforme informação divulgada pela AtlasIntel.
Como o Carnaval afetou a percepção pública
Em entrevista ao Hora H, Yuri Sanches, head de análise política da AtlasIntel, afirmou que a sátira ao que chamou de “família em conserva” foi decisiva na repercussão negativa para o governo.
Na íntegra, Sanches disse, “Particularmente a parte do desfile que faz uma sátira em relação à família em conserva foi particularmente danosa para o governo porque nas redes sociais a direita organizada, bolsonarismo, diversos candidatos, mas não apenas no núcleo político, mas também pastores, líderes religiosos, enfim, próprios fiéis, viram naquilo uma espécie de ataque aos seus valores, às suas crenças”.
O analista destacou que, apesar de não haver vínculo direto entre o Palácio e o desfile, a associação foi imediata em amplos grupos de eleitores, e isso ampliou a visibilidade do desconforto, afetando a pesquisa eleitoral e a percepção sobre a gestão.
Outros eventos e decisões que pesaram
Sanches citou também o caso do Banco Master, que, embora sem ligação formal com o presidente, acabou respingando na avaliação do governo por associações públicas entre instituições e a gestão atual.
Além disso, medidas econômicas recentes foram apontadas como relevantes. O analista afirmou, “É um governo que já tem uma imagem mais consolidada disso, é um governo que aumenta impostos para arrecadação ao invés, por exemplo, de cortes de gastos”.
Essa percepção sobre política fiscal contribuiu para o desgaste junto a eleitores sensíveis a aumentos de custo, especialmente após mudanças em tributos sobre eletrônicos e outros bens.
Cenário eleitoral, eleitorado volátil e espaço para terceira via
Segundo a AtlasIntel, a disputa de 2026 reproduz os polos de 2022, agora com Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro como referências principais, enquanto uma fatia de eleitores permanece mais independente.
O analista ressaltou que “esse eleitorado é o que está num pêndulo que pode dar uma vantagem para o presidente Lula ou para a oposição, caso entendam que o governo não está fazendo um bom trabalho”. A parcela independente foi estimada em cerca de 10%.
Quanto à terceira via, Sanches avaliou que “Até aqui o espaço é reduzido, como a gente fala, entre os polos o espaço fica bastante apertado para uma terceira via”. Ele observou que nomes como Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite oscilam entre 4% e 5% das intenções de voto, níveis próximos aos alcançados por Simone Tebet em 2022.
O que monitorar nas próximas semanas
Nos próximos levantamentos, será importante observar se a repercussão cultural e religiosa do Carnaval segue mobilizando segmentos eleitorais, e também se novos episódios envolvendo instituições financeiras ou medidas fiscais vão reforçar a tendência apontada pela AtlasIntel.
Em resumo, para analistas consultados pela AtlasIntel, o efeito combinado de uma alta exposição midiática do episódio carnavalesco, decisões econômicas e temas institucionais ajudou a transformar o cenário da pesquisa eleitoral em um empate técnico, deixando a disputa mais sensível a eventos pontuais.