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Breve revolução na Bahia: Terças Raras podem atrair R$ 5 bilhões com projeto ambicioso em Camaçari

Brazilian Rare Earths estima investimento bilionário para produção de terras raras na Bahia, com foco em Camaçari e Monte Alto.

A Brazilian Rare Earths (BRE) projeta um investimento de aproximadamente R$ 5 bilhões para viabilizar a produção e o refino de terras raras em solo baiano. A iniciativa, batizada de projeto Rocha da Rocha, abrange desde a extração do minério no interior do estado até a instalação de uma unidade de processamento químico no Polo Industrial de Camaçari.

Este plano audacioso faz parte do primeiro estudo de escopo divulgado pela empresa, que avalia a viabilidade econômica preliminar da operação. A BRE visa iniciar a construção em 2029, com as primeiras vendas de concentrado de terras raras previstas para 2030 e a produção de materiais refinados a partir de 2031.

A estratégia da BRE prevê um desenvolvimento em etapas, começando pela mina de Monte Alto para a extração e beneficiamento inicial do minério. O material concentrado será então transportado para Camaçari, onde a unidade hidrometalúrgica realizará as complexas etapas de separação química das terras raras e a recuperação de urânio, conforme divulgado pela companhia.

Produção estratégica de terras raras e seus derivados

Ao final do processo, a BRE pretende comercializar dois produtos chave: o óxido de NdPr, essencial para a fabricação de ímãs de alto desempenho com neodímio e praseodímio, e um concentrado de terras raras pesadas, denominado HRE+, rico em elementos como disprópio e térbio. Estes materiais são cruciais para setores de alta tecnologia, como energias renováveis e eletrônicos avançados.

Nos primeiros cinco anos de operação integrada, o estudo aponta uma produção média anual de 6.351 toneladas de óxido de NdPr e 2.502 toneladas do concentrado HRE+. Deste último, espera-se a produção de cerca de 229 toneladas anuais de disprópio e 45 toneladas de térbio, conforme detalhado no estudo.

Camaçari como polo logístico e industrial para terras raras

A escolha de Camaçari para a etapa de refino visa aproveitar a infraestrutura industrial já existente, incluindo acesso a energia, reagentes químicos, mão de obra especializada e conexões logísticas, como rodovias e portos. Essa decisão estratégica permite que parte significativa da agregação de valor ocorra no Brasil, em vez de apenas exportar o minério bruto.

A BRE também considera uma fase inicial de produção, com um investimento menor de US$ 91 milhões, focada na exportação de concentrado de terras raras. Essa etapa permitiria gerar receita antecipadamente e reduzir os riscos associados à construção da refinaria completa, com potencial início das vendas já em 2030.

Alto teor mineral em Monte Alto impulsiona o projeto

O depósito de Monte Alto é o pilar desta operação, com uma estimativa de 3,4 milhões de toneladas de recursos minerais e um teor médio de 11,26% de Óxidos Totais de Terras Raras (TREO). Um teor elevado é fundamental, pois otimiza o processamento, reduz o consumo de insumos e diminui os custos de produção.

As projeções financeiras preliminares indicam um Valor Presente Líquido (VPL) pós-impostos de US$ 7,9 bilhões e uma Taxa Interna de Retorno (TIR) pós-impostos de 89%. O Ebitda médio anual projetado é de US$ 1,4 bilhão, embora o estudo de escopo possua uma margem de precisão de mais ou menos 40%.

Próximos passos e captação de recursos para o projeto de terras raras

A BRE iniciará o estudo de pré-viabilidade (PFS) em 2026, com conclusão prevista para 2027, seguido pelo estudo definitivo de viabilidade em 2028. A decisão final de investimento é esperada para 2029. A empresa reconhece a necessidade de captar os cerca de US$ 969 milhões necessários, explorando alternativas como parcerias, joint ventures ou venda parcial do projeto.

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