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Brasil na Lua: SpaceLab da UFSC prepara novos lançamentos com SpaceX após falhas e busca impulsionar indústria espacial nacional

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SpaceLab da UFSC mira novos lançamentos espaciais com a SpaceX após aprendizados de falhas

O laboratório SpaceLab, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está a todo vapor para retomar seus projetos de lançamento de satélites. Após a perda de dois equipamentos em uma tentativa anterior realizada no Centro Espacial de Alcântara, a equipe se dedica a ajustes e novos desenvolvimentos.

A próxima missão está prevista para o final deste ano e contará com o envio de nanosatélites em parceria com a SpaceX. Esta iniciativa faz parte de uma série de projetos que visam utilizar tecnologia desenvolvida internamente no laboratório, impulsionando o desenvolvimento espacial brasileiro.

As informações foram divulgadas pela CNN Brasil, no contexto da série “Brasil na Lua”, que aborda o papel do país na exploração espacial e a expectativa para a missão Artemis II da NASA. O professor Eduardo Bezerra, coordenador do SpaceLab, detalhou os desafios e aprendizados enfrentados pela equipe.

Aprendizados com falhas impulsionam novos lançamentos

Em recente entrevista, o professor Eduardo Bezerra explicou que dois satélites da UFSC estavam a bordo de um foguete da empresa sul-coreana Innospace. O lançamento, que ocorreu em Alcântara, sofreu um problema durante o voo, impedindo que os equipamentos atingissem a órbita planejada. “Cada tentativa traz aprendizado técnico importante”, ressaltou Bezerra.

Ele destacou que esses aprendizados vão desde a adaptação dos satélites ao sistema de ejeção do foguete até detalhes estruturais que só podem ser verificados em campanhas reais de lançamento. “Coisas assim que parecem banais, simples, como o diâmetro de um determinado parafuso que vai em uma determinada estrutura, que a gente não poderia ter usado daquele jeito. Pequenos detalhes. Isso aí só se aprende se botar a mão na massa”, afirmou.

Plataforma FloripaSat e a constelação Catarina em desenvolvimento

A plataforma FloripaSat, criada para missões acadêmicas e científicas de baixo custo, já tem um histórico de sucesso. Sua primeira versão foi lançada em 2019 em um foguete chinês e operou conforme o esperado, permitindo o desenvolvimento da segunda geração, atualmente utilizada em diversos projetos. Após a falha mais recente, novos testes e ajustes foram realizados nos satélites e nos sistemas de integração com foguetes.

A expectativa é que a missão Transporter 18, da SpaceX, no fim deste ano, marque o retorno bem-sucedido dos equipamentos da UFSC ao espaço. Além disso, outros equipamentos da chamada constelação Catarina estão em desenvolvimento e têm lançamento previsto para os próximos anos, ampliando a capacidade de observação e pesquisa do Brasil no espaço.

Desafios estruturais limitam o avanço da indústria espacial brasileira

O professor Eduardo Bezerra apontou que o programa espacial brasileiro enfrenta desafios estruturais significativos. Um dos principais é a falta de uma indústria nacional de microeletrônica robusta. Muitos componentes essenciais para satélites não podem ser importados devido a restrições internacionais, o que limita o desenvolvimento de novos equipamentos no país.

Outro obstáculo relevante é a infraestrutura de testes, concentrada majoritariamente no laboratório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos. Segundo Bezerra, a ampliação da capacidade de ensaios em universidades e centros regionais seria fundamental para acelerar projetos, reduzir custos e descentralizar o desenvolvimento tecnológico espacial no Brasil.

A parceria com a SpaceX e o desenvolvimento contínuo de tecnologias próprias demonstram o empenho do SpaceLab em superar essas barreiras e consolidar o Brasil como um ator relevante na exploração espacial global.