Bradesco prevê cenário adverso e foca em controle de riscos diante de desafios econômicos futuros
O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, sinalizou que o banco espera um período de “vento de proa” nos próximos trimestres. Essa expressão indica um cenário econômico e de crédito desafiador, com implicações diretas para o setor financeiro e para os consumidores.
As razões para essa perspectiva são multifacetadas, incluindo a expectativa de um crescimento econômico modesto e o comprometimento da renda familiar com o pagamento de dívidas. Esses fatores combinados tendem a desacelerar a normalização dos índices de inadimplência.
As declarações foram feitas durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026, onde o banco apresentou seu desempenho financeiro e suas projeções para o futuro. Conforme informação divulgada pelo Bradesco, o lucro líquido recorrente no 3T26 somou R$ 7,1 bilhões, um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025, o que demonstra resiliência em meio às expectativas de um futuro mais complexo.
Lucro Cresce, Mas Ritmo Diminui e Inadimplência Sobe
O Bradesco registrou o 11º trimestre consecutivo de crescimento em seu lucro recorrente, com um avanço de 0,8% em relação ao segundo trimestre. O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) atingiu 15,6%. No entanto, a inadimplência acima de 90 dias apresentou uma alta, chegando a 4,6% em setembro, ante 4,3% em junho e 4,1% no ano anterior. Entre pessoas físicas, o índice subiu de 5,4% para 5,8% em 12 meses.
Carteira de Crédito e Custos em Alta
A carteira de crédito expandida do banco totalizou R$ 1,15 trilhão em setembro, com crescimento de 11,1% em 12 meses. O crédito para pessoas jurídicas avançou 14,1%, enquanto o de pessoas físicas cresceu 7,4%. O custo do crédito acompanhou essa tendência, com a despesa com Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) expandida somando R$ 10,6 bilhões, um aumento de 24,3% em 12 meses. A margem financeira total subiu 2,4%, mas o spread líquido com clientes recuou de 4,5% para 4,2%.
Estratégias e Controle de Risco do Bradesco
Noronha destacou que, apesar de um horizonte de maior pressão, a carteira do Bradesco é considerada mais controlada que a do mercado. Ele mencionou que o perfil da carteira mudou, com maior concessão de crédito com garantia, como o imobiliário e linhas com FGI e FGO. Essas modalidades, embora possam impactar o índice de atraso, tendem a ter menor custo de crédito em comparação a outras. O banco manteve suas projeções para 2026, focando na iniciativa “Principal” para expansão de atendimento.
Inadimplência em Consignado Privado e Capitalização do Banco
Especificamente no consignado privado, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,4%, enquanto o mercado registrou 10,6%. O Bradesco encerrou setembro com Capital Principal de 12,1% e Capital Nível I de 13,7%, impulsionado por um aumento de capital de R$ 10 bilhões. Os dividendos e juros sobre capital próprio brutos distribuídos nos primeiros nove meses somaram R$ 12,1 bilhões.