Júri civil na Califórnia decide que Bill Cosby deve indenizar vítima em quase US$ 20 milhões por agressão sexual ocorrida em 1972.
Um júri civil na Califórnia considerou o ator Bill Cosby, de 88 anos, responsável por drogar e agredir sexualmente uma mulher em 1972. A decisão, anunciada nesta segunda-feira (23), determinou que Cosby pague uma indenização de US$ 19,25 milhões (aproximadamente R$ 100 milhões) à vítima, Donna Motsinger.
O veredicto foi proferido após um julgamento que durou quase duas semanas em Santa Monica. A advogada de Cosby, Jennifer Bonjean, expressou desapontamento com a decisão e afirmou, por e-mail, que a defesa pretende recorrer integralmente do veredicto. Esta condenação civil ocorre quase cinco anos após a libertação de Cosby da prisão na Pensilvânia, quando a Suprema Corte estadual anulou uma condenação criminal anterior baseada em alegações semelhantes.
A ação movida por Donna Motsinger, apresentada em 2023, detalha que ela era garçonete em um restaurante em Sausalito, perto de São Francisco, quando foi convidada por Cosby para assistir a um show de stand-up comedy. Na época, ambos tinham cerca de 30 anos. Segundo o processo, o comediante ofereceu vinho e dois comprimidos à Motsinger, que acreditava serem aspirina. Ela relata ter perdido a consciência, sendo colocada em uma limusine por dois homens.
Detalhes da agressão e defesa de Cosby
O processo descreve que Motsinger acordou na residência de Cosby, sem suas roupas, exceto pela calcinha. “Ela sabia que havia sido drogada e estuprada por Bill Cosby”, afirma o documento. Em sua defesa, os advogados de Cosby argumentaram que as alegações eram baseadas em especulação e suposição, alegando que a vítima “admite livremente que não tem ideia do que aconteceu”.
Indenização e danos concedidos
Os jurados concederam a Motsinger um total de US$ 19,25 milhões: US$ 17,5 milhões por danos passados e US$ 1,75 milhão para danos futuros. Estes valores incluem compensação por “sofrimento mental, perda do prazer de viver, inconveniência, tristeza, ansiedade, humilhação e angústia emocional”. A deliberação do júri durou pouco mais de um dia.
A possibilidade de danos punitivos adicionais ainda estava em pauta, com a fase de punição do julgamento prevista para iniciar na mesma segunda-feira. Bill Cosby não compareceu ao julgamento, que contou com testemunhos de pessoas como Andrea Constand, a administradora esportiva da Universidade Temple, que foi a principal acusadora em um caso criminal anterior contra o ator.
Contexto legal e histórico de acusações
A condenação criminal de Cosby em 2018, relacionada ao caso de Andrea Constand, foi anulada pela Suprema Corte da Pensilvânia, levando à sua libertação após cumprir quase três anos de uma sentença de três a dez anos. As alegações de Motsinger foram inicialmente apresentadas anonimamente em um processo judicial de 2005 movido por Constand.
A Associated Press adota a prática de não divulgar nomes de vítimas de abuso sexual a menos que elas se manifestem publicamente e consintam com a identificação, como fizeram Constand e Motsinger. Em 2022, outro júri em Santa Monica concedeu US$ 500 mil a uma mulher que alegou ter sido agredida sexualmente por Cosby na Mansão Playboy quando adolescente, em 1975.
O processo de Motsinger se soma às acusações de estupro, agressão sexual e assédio sexual feitas por pelo menos 60 mulheres contra Bill Cosby, alegações que ele sempre negou. O ex-astro da comédia, antes conhecido como “Pai da América”, tornou-se uma figura central no movimento #MeToo, embora sua condenação criminal tenha sido posteriormente anulada por questões processuais relacionadas a um suposto acordo de imunidade.