Aumento do Imposto de Importação atinge celulares, computadores, roteadores e freezers, governo afirma proteção à indústria, enquanto IFI e lideranças apontam riscos fiscais e repasses
O governo federal elevou a alíquota do Imposto de Importação para cerca de 1.200 produtos do setor de máquinas durante o mês de fevereiro, incluindo celulares, computadores, roteadores e freezers.
O Planalto diz que a medida serve para proteger a indústria brasileira diante do crescimento das importações, e nega impacto nos preços, mas instituições e especialistas questionam a eficácia e as consequências econômicas.
Conforme informação divulgada pela IFI e pela CNN Brasil em Brasília, “geraria uma arrecadação adicional de R$ 14 bilhões a R$ 20 bilhões – segundo cálculos da IFI (Instituição Fiscal Independente do Senado).”
O que muda na prática com o aumento do imposto
Na prática, o aumento de alíquota eleva o custo de importação desses produtos, e a expectativa do governo é reduzir a dependência de itens importados ao incentivar produção nacional.
O Executivo trata a medida como uma ação regulatória voltada à indústria, e afirma que não haverá impacto nos preços finais, mas economistas ressaltam que taxas desse tipo costumam ser repassadas, parcial ou totalmente, aos consumidores e aos custos das empresas.
Críticas da IFI e de especialistas
A IFI avalia que, mesmo se o objetivo não for fiscal, “o efeito arrecadatório é imediato, inclusive ajudando o apertado resultado primário de 2026”, e compara a mudança à movimentação feita no IOF, por ser um tributo de natureza regulatória usado também para elevar a receita da União.
Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, traçou paralelo com as tarifas adotadas nos Estados Unidos e afirmou, “Tudo indica que a estratégia protecionista via Imposto de Importação não é eficaz. A industrialização brasileira se deu por outro motivo”.
A IFI também alerta que a substituição de produtos importados por produção nacional tende a ocorrer apenas no médio e longo prazo, se ocorrer, e que o impacto imediato pode favorecer a arrecadação sem garantir ganho industrial sustentável.
Reação política e riscos para preços e contas públicas
Organizações como o Centro de Liderança Pública contestam a versão oficial e afirmam que, de modo geral, tarifas são repassadas a preços, custos e produção, e não seria diferente neste caso.
No campo político, a oposição tenta capitalizar a medida, com declarações do senador Flavio Bolsonaro acusando o governo de buscar apenas arrecadação para aumento de gastos, e publicações do deputado Nikolas Ferreira com grande alcance nas redes sociais.
Internamente, o governo aparece dividido, com uma ala sugerindo recuo parcial para poupar a imagem do presidente no ano eleitoral, enquanto a área econômica, especialmente a Fazenda, defende a manutenção da alteração.
O horizonte fiscal
Especialistas lembram que o país enfrenta dificuldades para fechar as contas, com trajetória crescente da dívida pública e despesas obrigatórias, e que a medida pode aliviar temporariamente o resultado primário, sem resolver o que a IFI chama de “estrangulamento fiscal” apontado em relatório de 2025.
Em resumo, o aumento do Imposto de Importação gera receita adicional estimada em curto prazo, conforme cálculos citados da IFI, mas abre debate sobre eficácia para a indústria, risco de repasse a preços e custo político em ano eleitoral.