Arábia Saudita impõe bloqueio total em Santa Catarina para importação de aves
A Arábia Saudita, um dos principais compradores de carne de aves do Brasil, comunicou oficialmente a ampliação da suspensão de compras para todo o estado de Santa Catarina. A decisão, enviada ao Brasil nesta quarta-feira (28), contrasta com a recomendação anterior da própria adidância brasileira, que sugeria um bloqueio limitado a um raio de 10 km do foco de doença.
Essa nova medida saudita gerou atenção devido à divergência na extensão territorial do embargo, uma vez que o Ministério da Agricultura brasileiro tem trabalhado para que parceiros comerciais adotem a regionalização sanitária. O objetivo é restringir as importações apenas às áreas efetivamente afetadas, minimizando perdas econômicas para o país.
O cenário atualizado pelo Ministério da Agricultura em 28 de outubro revela que as restrições variam significativamente entre os países importadores. Enquanto alguns, como China, Chile e Peru, impuseram embargos a Santa Catarina, outros, como a Arábia Saudita, inicialmente optaram por restrições mais localizadas. Contudo, a decisão saudita mais recente altera essa perspectiva, exigindo novas articulações diplomáticas.
Países que suspenderam compras de aves de Santa Catarina
A lista de países que já adotaram restrições à importação de aves de Santa Catarina é extensa. Inclui a China, Chile, Peru, Turquia, Paraguai, Uzbequistão, além dos membros da União Econômica Eurasiática, como Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia. Estes países aplicaram embargos totais ao estado.
Outros importantes mercados, como Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Filipinas, África do Sul, Omã, Jordânia, Hong Kong, Egito, Argentina, Cuba, Vietnã, Canadá, Bahamas, Argélia, Namíbia, República Dominicana, Nova Caledônia, Tanzânia, Marrocos, Timor-Leste, Bolívia, El Salvador e Vanuatu, implementaram restrições que se limitam às áreas sob controle sanitário. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também se enquadravam nesta categoria, mas a nova medida saudita amplia o escopo.
Esforços brasileiros para mitigar perdas comerciais
O Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil estão empenhados em negociar com os parceiros comerciais o reconhecimento da regionalização sanitária brasileira. Essa estratégia visa garantir que as suspensões de compra se restrinjam estritamente às áreas localizadas e com foco de doenças, e não a estados inteiros.
Segundo o governo brasileiro, as negociações internacionais têm sido cruciais para evitar perdas substanciais. Estima-se que, com as medidas de regionalização adotadas, o Brasil tenha evitado perdas potenciais anuais na casa dos US$ 954 milhões. Esse cálculo compara as restrições atuais com um cenário hipotético onde os países repetiriam medidas mais amplas, como as adotadas durante o surto de doença de Newcastle no Rio Grande do Sul em 2024.
Impacto da decisão saudita no setor avícola
A decisão da Arábia Saudita de ampliar o embargo para todo o estado de Santa Catarina representa um desafio para o setor avícola brasileiro, que busca consolidar sua posição nos mercados internacionais. A rápida resposta e a comunicação transparente com os parceiros comerciais são fundamentais para restabelecer a confiança e normalizar as exportações.
O Brasil possui um sistema de vigilância sanitária robusto e a capacidade de gerenciar focos de doenças de forma eficiente. A expectativa é que, com a apresentação de dados e a garantia das medidas de controle adotadas, a Arábia Saudita reavalie a abrangência de sua suspensão, permitindo a retomada das exportações de aves de regiões livres de doenças.
