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Americana Quebra Barreiras na Coreia do Sul: Kylie Genter se Torna a Primeira “Haenyeo” Estrangeira e Revitaliza Tradição Milenar

A única estrangeira com licença de “Haenyeo” na Coreia do Sul: uma americana que mergulha nas profundezas da tradição e esperança

Em Youngrak-ri, uma vila costeira na ilha sul-coreana de Jeju, uma figura incomum tem atraído olhares e entrevistas: Kylie Genter, a primeira americana a se tornar uma “Haenyeo”. Este termo se refere às mulheres que mergulham sem equipamento de respiração para pescar frutos do mar, uma tradição ancestral da região.

A jornada de Genter, de 36 anos, representa mais do que uma conquista pessoal, mas um facho de esperança para a preservação dessa cultura única. As “Haenyeo” enfrentam o desafio do envelhecimento de suas praticantes e a diminuição de novas vocações, tornando a chegada de uma estrangeira disposta a abraçar essa difícil profissão um marco significativo.

Conforme informações divulgadas pela CNN, Genter se tornou a única estrangeira a possuir a licença de “Haenyeo”, um requisito obrigatório para a prática comercial do mergulho livre tradicional no país. Ela expressa a responsabilidade que sente ao abrir caminho para outros estrangeiros e, assim, ajudar a salvaguardar esse patrimônio cultural. A aldeia, que antes era conhecida por seu solo fértil e golfinhos, agora celebra sua nova celebridade local, a “Haenyeo americana”.

De Nova York à Ilha de Jeju: um destino inesperado

A vida de Kylie Genter tomou um rumo surpreendente quando, após se formar, decidiu explorar a Ásia. Inicialmente com planos de ir para o Japão, uma oportunidade de emprego na Coreia do Sul, com moradia gratuita, a levou a Jinju. Lá, ela trabalhou como professora de inglês e se adaptou às diferenças culturais, encontrando semelhanças inesperadas com a vida em Nova York, como a objetividade e a gentileza.

Após quatro anos, a busca por novas experiências a direcionou para Jeju. O que começou como uma estadia temporária há dez anos, transformou-se em um lar e, mais recentemente, em uma vocação. Vinda de uma área rural de Nova York, Genter sentiu uma conexão imediata com a ilha.

A necessidade de novas “Haenyeo” e a porta que se abriu

A tradição das “Haenyeo” enfrenta um futuro incerto. Muitas praticantes continuam mergulhando até os 80 ou 90 anos, mas poucas jovens estão seguindo seus passos. Dados do Museu Haenyeo revelam que, no ano passado, 63% das 2.371 “Haenyeo” em atividade tinham 70 anos ou mais, enquanto apenas 1% (30 mulheres) tinham 39 anos ou menos. Essa disparidade gerou um alerta para o possível desaparecimento da profissão.

Em 2024, a vila de Youngrak-ri lançou um apelo por novas candidatas. A oportunidade chegou a Genter através de um grupo de bate-papo, onde seu marido se ofereceu como voluntário em seu nome. Inicialmente, ela foi impedida de participar por ser estrangeira, mas o chefe da pesca da aldeia, Kim Chang-sik, reconsiderou e a convidou para uma entrevista. Kim a alertou sobre a dificuldade da vida de “Haenyeo”, mas Genter decidiu abraçar o desafio.

Integração e reconhecimento na comunidade “Haenyeo”

A integração de Genter na comunidade “Haenyeo” não foi imediata. As veteranas, acostumadas a um ambiente familiar e de forte laço comunitário, tiveram dificuldade em pronunciar seu nome. No entanto, seu comprometimento diário e sua dedicação conquistaram o respeito delas. A presidente das “Haenyeo”, Hong, que inicialmente a chamava de “Kyla”, passou a chamá-la de “minha filha”, um título de grande afeto e reconhecimento.

Genter, que já havia se matriculado em uma escola de “Haenyeo” para um programa de inglês, agora mergulha regularmente com suas colegas, que a consideram uma delas. Ela descreve o apoio recebido como um bálsamo, especialmente por estar longe de sua família nos EUA. A força da comunidade “Haenyeo” reside no cuidado mútuo, onde a segurança de todas é uma prioridade inegociável.

Um legado em transformação e a voz nas redes sociais

A trajetória de Genter desafia as expectativas. Como graduada universitária, algumas “Haenyeo” mais velhas questionaram sua escolha de carreira. Historicamente, as mulheres de Jeju desempenhavam um papel econômico crucial, conciliando o mergulho com o cultivo e o cuidado familiar, onde a educação era vista como um luxo.

Fora da água, Genter administra um hotel para animais com o marido e utiliza as redes sociais e um podcast para educar o público sobre a vida das “Haenyeo”. Ela busca desmistificar a ideia de que a profissão está fadada ao desaparecimento, afirmando com convicção: “Não, as jovens “Haenyeo” ainda estão aqui!”.