Diante do ataque ao Irã e da resposta iraniana com mísseis, países da América Latina adotam posturas distintas, entre condenações, celebrações e apelos por diálogo e proteção de civis
Os governos latino-americanos reagiram de formas variadas ao ataque ao Irã liderado pelos Estados Unidos e Israel, e à resposta do Irã com mísseis contra países da região.
Alguns chefes de Estado condenaram o ocorrido e pediram proteção de civis, outros celebraram a morte do líder supremo, e ao menos um comunicado oficial foi apagado das redes sociais, gerando debates sobre alinhamentos internacionais.
Essas informações são baseadas em comunicados e declarações de autoridades e ministérios, conforme informações divulgadas por comunicados oficiais e agências de notícias.
Apelos por proteção de civis e críticas ao ataque
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu a proteção de civis após a escalada do conflito, condenando o bombardeio de uma escola de meninas no Irã, que, segundo a mídia estatal do país, deixou 165 mortos. Em sua coletiva diária ela afirmou, “Não se trata de concordar com um regime ou outro; é a população civil que paga”, e complementou, “é por isso que o apelo do México é sempre pela busca de uma resolução pacífica dos conflitos”.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, descreveu o ataque como “ato desprezível”, afirmando que viola “todas as normas do direito internacional e da dignidade humana”, ressaltando a preocupação de países que condenam o uso de força e os impactos sobre civis.
Críticas diretas e pedidos de mudança de postura dos EUA
O colombiano Gustavo Petro criticou os bombardeios que provocaram 165 mortes na escola feminina, atribuindo a ação ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, e pediu que os Estados Unidos deixem a aliança com Israel. Petro declarou, “Os Estados Unidos por razões éticas humanas não podem continuar em aliança com um genocida”.
Petro também defendeu um diálogo com o Irã para buscar um Oriente Médio sem armas nucleares e propôs a realização de uma conferência de paz, “que comece pela soberania da Palestina”, sinalizando propostas diplomáticas alternativas à escalada militar.
Governos que celebraram ou apoiaram a ação militar
Nem todas as reações foram de condenação ao ataque ao Irã. O governo de Javier Milei comemorou os ataques que resultaram na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, qualificando-o como “uma das pessoas mais malvadas, violentas e cruéis da história da humanidade”.
A Argentina, pelo governo de Milei, lembrou o atentado à AMIA de 1994, no qual 85 pessoas morreram, episódio que a Justiça argentina atribui ao Irã e ao Hezbollah. Em comunicado, o país afirmou, “A República Argentina espera que esta ação militar conjunta de nossos países aliados ponha um fim definitivo ao que foram mais de 40 anos de opressão e violações aos direitos humanos no Irã, e que finalmente o povo iraniano tenha paz e recupere sua democracia”.
Alinhamentos, silêncios e comunicações apagadas
O Paraguai não se pronunciou contra o ataque norte-americano ao Irã, mas condenou a “agressão iraniana” aos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Jordânia. O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai relatou que o chanceler Ruben Ramírez Lezcano conversou com o chanceler de Israel, Gideon Sa’ar, transmitindo “todo o apoio e solidariedade”, e afirmou que “Ambos os chanceleres se comprometeram a fazer esforços em nível multilateral para erradicar o flagelo do terrorismo e des regimes que o apoiam”.
A Venezuela, tradicional aliada do Irã, emitiu inicialmente uma nota que condenava a escolha da via militar em um momento de negociações, mas poucas horas depois o chanceler e o ministério da Comunicação apagaram o documento das redes sociais oficiais, indicando tensão e cuidados diplomáticos na região.
Consequências regionais e diplomáticas do ataque ao Irã
O ataque ao Irã e a resposta iraniana ampliaram debates sobre alinhamentos geopolíticos na América Latina, e expuseram diferenças ideológicas entre governos. As reações variaram entre apelos por diálogo e proteção de civis, críticas severas à coalizão que conduziu o ataque, e manifestações de apoio que citam memórias de atentados como a AMIA.
Com a região dividida, o diálogo diplomático e as iniciativas multilaterais ganham importância, enquanto os impactos humanitários e políticos devem influenciar decisões e posicionamentos futuros sobre o conflito no Oriente Médio e suas repercussões para a América Latina.