Praga perigosa detectada em carga internacional de castanhas em São Paulo
Uma carga de 900 quilos de castanha portuguesa, importada da Itália, foi interceptada no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após a detecção de uma praga quarentenária ausente no Brasil. A mercadoria, que chegou ao país em 7 de outubro, trazia consigo a Cydia splendana, um inseto que pode causar severos danos à agricultura nacional.
A descoberta foi feita pela equipe da Vigilância Agropecuária Internacional. Amostras da praga foram prontamente enviadas a um laboratório de referência para confirmação. A identificação precoce é crucial para evitar a disseminação e proteger a produção de alimentos no território brasileiro.
A presença da Cydia splendana, também conhecida como bichado-da-castanha, traça-da-castanha ou mariposa-da-castanha, representa um risco significativo para a economia e para a sanidade fitossanitária do Brasil. As informações foram divulgadas pela Vigilância Agropecuária Internacional.
O que é a Cydia splendana e seus riscos para o Brasil
A Cydia splendana é uma praga que ataca principalmente os frutos do castanheiro (Castanea sativa). Suas larvas perfuram a casca e se alimentam do interior das castanhas durante o processo de maturação, resultando em perdas tanto qualitativas quanto quantitativas na produção. Os frutos infestados podem cair antes do tempo, comprometendo o rendimento e a qualidade final do produto.
Além das castanhas, a praga também pode afetar frutos de carvalhos, avelaneiras e nogueiras, ampliando o potencial de dano. De acordo com a Portaria SDA/Mapa n° 1.679/2026, a Cydia splendana é considerada ausente do Brasil, o que torna sua introdução ainda mais preocupante.
Impactos econômicos e ambientais da introdução da praga
A introdução da Cydia splendana no Brasil poderia gerar uma série de consequências negativas. Entre elas, destacam-se a redução da produtividade agrícola, prejuízos econômicos substanciais para os produtores e o aumento dos custos de controle. Isso se deve, em parte, à possível ausência de inimigos naturais e de métodos de manejo adaptados às condições brasileiras.
Adicionalmente, a presença da praga pode acarretar restrições comerciais. Outros países poderiam impor medidas sanitárias para proteger seus próprios territórios, impactando negativamente as exportações brasileiras de produtos agrícolas. A introdução de organismos exóticos também pode desequilibrar os ecossistemas locais e afetar a biodiversidade.
Medidas emergenciais adotadas pelas autoridades
Diante da detecção da praga, o Ministério da Agricultura e Pecuária determinou a realização de medidas fitossanitárias emergenciais. A carga de castanhas foi submetida à fumigação com brometo de metila em 16 de outubro. Este procedimento visa neutralizar a praga e evitar sua proliferação.
Após a fumigação, serão seguidos os procedimentos cabíveis, que podem incluir a devolução da mercadoria ao país de origem ou a sua destruição. A ação rápida das autoridades é fundamental para mitigar os riscos associados à introdução de pragas quarentenárias em território nacional, garantindo a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.