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Aeroporto de Guarulhos: Concessão Até 2033 e Dívidas da Controladora Explicam Problemas de Qualidade

Aeroporto de Guarulhos: Concessão Até 2033 e Dívidas da Controladora Explicam Problemas de Qualidade

O Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (GRU), o maior do Brasil, enfrenta um cenário complexo que afeta a qualidade dos serviços prestados aos passageiros. A combinação de um prazo de concessão com data definida, a saúde financeira da empresa controladora e a necessidade de investimentos em infraestrutura são fatores cruciais para entender os desafios atuais.

Enquanto o aeroporto lida com um fluxo crescente de passageiros, indicadores de qualidade em queda e gargalos de infraestrutura, a sua concessionária, a GRU Airport, e sua principal controladora, a Invepar, navegam por dificuldades financeiras. A situação levanta questões sobre a capacidade de realizar os investimentos necessários para a modernização e a melhoria contínua.

A extensão da concessão até 2033, atrelada a novos investimentos, surge como uma tentativa de reverter o quadro. No entanto, a complexa estrutura societária e os desafios de governança da controladora adicionam camadas de preocupação. Conforme informações divulgadas pela Forbes Money, o caso expõe fragilidades no modelo de concessões de infraestrutura no país.

O Prazo da Concessão e o Desafio dos Investimentos de Longo Prazo

A proximidade do fim de um contrato de concessão pode desencorajar investimentos de longo prazo, conforme aponta a Forbes Money. Obras aeroportuárias demandam altos aportes, levam anos para gerar retorno e frequentemente continuam em uso após o término do contrato. Sem a garantia de recuperar o capital investido, o concessionário pode ter menos incentivos para compromissos que ultrapassem o prazo restante.

O economista Gesner Oliveira, sócio fundador da GO Associados, explica que “o investidor precisa avaliar se conseguirá recuperar o capital aplicado antes do término da concessão ou se será necessário algum mecanismo contratual de extensão ou reequilíbrio”. Ele acrescenta que “esse é um desafio dos contratos de infraestrutura: os ativos têm vida longa, enquanto a concessão tem prazo determinado”.

Em Guarulhos, o problema se agrava pela persistência de gargalos de qualidade mesmo após mais de uma década de concessão. A disponibilidade de pontes de embarque, por exemplo, é um ponto crítico histórico. A insuficiência dessas estruturas obriga passageiros a utilizarem ônibus para acessar aeronaves, limitando a eficiência operacional.

Extensão da Concessão e Novos Investimentos Previstos

Para enfrentar esses desafios, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou, em novembro de 2024, a extensão da concessão de Guarulhos por mais um ano e quatro meses, até novembro de 2033. Esta prorrogação está vinculada a cerca de R$ 1,4 bilhão em investimentos previstos entre 2025 e 2029.

O pacote de investimentos inclui dois novos píeres de embarque, ampliação dos pátios de estacionamento de aeronaves, novas pistas de táxi e melhorias nos equipamentos de segurança. Segundo a Forbes Money, os píeres aumentarão o número de portões de embarque e posições de atendimento junto aos terminais, enquanto os pátios acomodarão mais aeronaves em solo.

As novas pistas de táxi devem agilizar o deslocamento das aeronaves, liberando a pista principal mais rapidamente para pousos e decolagens. O objetivo é ganhar capacidade com a infraestrutura existente, ampliando o aproveitamento do espaço e reduzindo o tempo de circulação dos aviões em solo. Contudo, a necessidade de novas obras evidencia que parte da infraestrutura ainda precisa ser ampliada para atender à demanda crescente.

A Estrutura Societária: Fundos de Pensão e Dificuldades Financeiras da Controladora

A estrutura societária de Guarulhos adiciona complexidade à análise. A GRU Airport, concessionária do aeroporto, tem 51% do capital sob controle da Grupar, formada pela Invepar (com 80%) e pela sul-africana Airports Company South Africa (ACSA) (com 20%). Os outros 49% pertencem à Infraero, estatal que não participa da gestão operacional.

A Invepar, principal controladora privada, enfrenta dificuldades financeiras. Em junho de 2025, a holding renegociou dívidas de R$ 1,5 bilhão com credores para evitar a recuperação judicial, conforme noticiado pela Forbes Money. Por trás da Invepar estão três grandes fundos de pensão do país: Previ, Petros e Funcef, que detêm 75,6% do capital da holding.

Essa estrutura expõe recursos previdenciários indiretamente ao desempenho da concessão, que enfrenta desafios para elevar seus indicadores de qualidade. A situação levanta questionamentos sobre a governança da Invepar, com relatos de substituições na diretoria com base em indicações políticas, o que pode impactar a autonomia da gestão e os critérios de escolha dos dirigentes.

Indicadores de Qualidade e o Fator Q: Penalidades e Melhorias Lentas

O Fator Q é um indicador crucial que mede a qualidade dos serviços prestados e influencia o reajuste das tarifas aeroportuárias. Em Guarulhos, após registrar resultados positivos em 2021 e 2022, o Fator Q voltou ao campo negativo em 2023, com um índice de -1,8358%. A penalidade tarifária diminuiu nos anos seguintes, mas permaneceu negativa, indicando uma redução nas multas, mas não necessariamente a solução dos problemas de qualidade.

O contraste com outros aeroportos é notável. Em 2024, Brasília, Viracopos, Confins e Salvador apresentaram Fator Q positivo, enquanto Guarulhos foi o único a registrar resultado negativo entre os 11 aeroportos considerados. Isso resultou em uma redução no reajuste tarifário permitido para a concessionária.

A Anac aplicou multas à GRU Airport, totalizando cerca de R$ 21,7 milhões em oito processos administrativos. Um caso emblemático é o do Aeromóvel, sistema que liga a estação de trem aos terminais, que sofreu atraso e resultou em multa de R$ 12,8 milhões. No entanto, a aplicação de multas não garante automaticamente a resolução dos problemas, evidenciando a necessidade de um monitoramento mais efetivo e prazos claros para a correção das falhas, como sugere a Forbes Money.