Aeris, gigante na produção de pás eólicas, entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 1,52 bilhão em dívidas.
A fabricante brasileira de pás eólicas, Aeris, protocolou nesta terça-feira (3) um pedido de recuperação extrajudicial. O objetivo é renegociar um montante expressivo de R$ 1,52 bilhão em dívidas, conforme divulgado em fato relevante da companhia.
A medida foi apresentada à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A empresa já conta com o apoio de credores que representam 42,18% dos créditos abrangidos pelo plano, e busca ampliar essa adesão para mais de 50% em até 90 dias para que o processo seja homologado pela Justiça.
Este movimento ocorre após meses de negociações intensas para aliviar a pressão financeira que a companhia vinha enfrentando. A recuperação extrajudicial é um instrumento legal que permite à empresa negociar um plano de pagamento diretamente com seus credores, submetendo-o posteriormente à aprovação judicial. Conforme informação divulgada pela companhia, a proposta visa reduzir a alavancagem e adequar a estrutura de capital, assegurando a continuidade da fabricação de pás para aerogeradores.
Objetivo é garantir a continuidade das operações e empregos
O plano de recuperação extrajudicial da Aeris tem como principal objetivo assegurar a continuidade de suas operações, a manutenção dos empregos e a preservação das relações comerciais. A empresa afirmou que as linhas de fornecimento necessárias para suas atividades seguirão sendo conduzidas normalmente durante o processo de reestruturação.
O montante de R$ 1,52 bilhão abrange créditos que não possuem garantias reais ou fiduciárias e que não decorrem do fornecimento habitual de bens e serviços essenciais à operação da empresa. Dívidas de natureza tributária, trabalhista e aquelas decorrentes de acidentes de trabalho estão explicitamente fora do escopo deste plano de recuperação.
Detalhes do plano e próximos passos
A reestruturação poderá envolver a renegociação das condições de pagamento, a captação de novos recursos financeiros e a alteração de garantias. Os termos financeiros exatos ainda serão consolidados em uma versão atualizada do plano, que será objeto de negociação com os credores e, posteriormente, submetida à homologação judicial.
Desde o protocolo do pedido, aplica-se a suspensão de execuções relativas aos créditos abrangidos pelo plano, conforme previsto na Lei de Recuperação e Falências. O ajuizamento da recuperação extrajudicial foi aprovado pelo conselho de administração da Aeris e ainda será submetido à ratificação dos acionistas em uma assembleia geral extraordinária, que será convocada para tal finalidade.
Contexto de crise no setor eólico e histórico da Aeris
O pedido de recuperação extrajudicial da Aeris ocorre em um cenário de retrações e incertezas na indústria eólica brasileira. Encomendas têm diminuído, levando diversas fabricantes a reduzir ou suspender suas linhas de produção no país. O setor também tem enfrentado cortes de geração, conhecidos como curtailment, que impactam a demanda.
Este movimento sucede um reperfilamento anunciado em maio de 2025, quando a fabricante informou ter renegociado aproximadamente 90% de seu endividamento. No segundo trimestre de 2026, a Aeris registrou um prejuízo líquido de R$ 152 milhões, evidenciando as dificuldades financeiras enfrentadas pela companhia. Em agosto, a empresa já havia buscado a Justiça para pedir a suspensão de execuções e medidas de cobrança relacionadas às dívidas em negociação.