Açúcar atinge maior patamar em 2024 após forte alta em Nova York, impulsionado por fatores de oferta e demanda.
Os preços futuros do açúcar registraram um avanço expressivo na sessão desta quarta-feira (18), com o contrato para maio negociado em Nova York alcançando o maior nível desde janeiro. A cotação encerrou o dia a US$ 14,80 centavos por libra-peso, um aumento de 2,42%.
Este cenário de alta é influenciado principalmente pela valorização da gasolina, que atingiu seu pico em três anos. Essa dinâmica tende a estimular a produção de etanol, levando as usinas a priorizar o direcionamento da cana-de-açúcar para o biocombustível. Consequentemente, a oferta de açúcar no mercado tende a diminuir, pressionando os preços para cima.
O mercado também está atento ao desenvolvimento da safra brasileira de cana-de-açúcar. As chuvas recentes no Centro-Sul do país têm favorecido o crescimento da cultura, um indicativo positivo para a produção futura. Conforme informações da consultoria Czarnikow, os níveis de precipitação observados na segunda quinzena de março são cruciais e comparáveis aos de 2023, ano em que o Brasil registrou uma safra recorde. O volume de chuvas neste período será decisivo para o início da colheita.
Café: projeções de safra recorde e aumento de estoques pressionam arábica para baixo
Em contrapartida, os preços do café arábica fecharam em queda na bolsa de Nova York. O contrato para maio recuou 0,63%, sendo negociado a US$ 2,929 por libra-peso. A pressão sobre o café arábica vem da expectativa de uma safra recorde no Brasil. A StoneX elevou sua projeção de produção para o ciclo 2026/27 para 75,3 milhões de sacas, superando a estimativa anterior de 70,7 milhões.
Outro fator que contribui para a desvalorização são os estoques de café arábica monitorados pela ICE, que atingiram o maior nível em 5,5 meses, totalizando 581.830 sacas. Para o café robusta, a redução nos estoques da ICE, que caíram para o menor patamar em dois meses, incentivou a cobertura de posições vendidas, oferecendo alguma sustentação aos preços desse tipo de grão.
Cacau em queda livre: oferta em alta, mas repasse ao consumidor pode demorar
Os preços do cacau também apresentaram recuo, com o contrato para maio cotado a US$ 3.260 por tonelada, uma queda de 2,66%. Segundo dados do Trading View, as cotações atingiram o menor nível desde agosto de 2023. Essa desvalorização reflete a perspectiva de aumento da oferta e sinais de ampla disponibilidade do produto no mercado.
Apesar da queda nos preços futuros, o cenário para o cacau continua volátil. As indústrias ainda operam com contratos firmados a preços elevados, o que deve atrasar o repasse desse alívio ao consumidor final, possivelmente até 2026 ou 2027. Fatores como tarifas, gargalos logísticos e riscos de oferta permanecem no radar.
Algodão e suco de laranja: oscilações e quedas marcam outros mercados agrícolas
O mercado de algodão apresentou leve oscilação, com o contrato para maio negociado a US$ 68,70 por libra-peso, registrando uma pequena queda de 0,10%. O mercado futuro reagiu à alta do petróleo e à queda do dólar.
O suco de laranja foi o destaque negativo do dia, com o contrato para maio encerrando cotado a US$ 1.805,00 por tonelada, uma queda expressiva de 5,25%. A performance do suco de laranja contrasta com a alta observada no açúcar, evidenciando a diversidade de dinâmicas nos mercados de commodities agrícolas.