Açúcar bruto registra a primeira alta em seis pregões na bolsa ICE, impulsionado pela força do petróleo e preocupações com o El Niño, enquanto o café sente o peso da valorização do real.
Os contratos futuros de açúcar bruto na bolsa ICE apresentaram um respiro, fechando com alta de 0,11 centavo, ou 0,5%, a 20,24 centavos por libra-peso. Este movimento marca a primeira valorização após cinco sessões consecutivas de queda, um período que acumulou uma perda de 3% na semana.
A recuperação nos preços do açúcar bruto é atribuída a uma combinação de fatores. Consumidores e operadores podem ter visto uma oportunidade de compra após as recentes quedas, especialmente diante de fortes elementos de alta no mercado. A consultoria de Michael McDougall aponta para o excesso de chuvas associadas ao fenômeno climático El Niño no Brasil, principal produtor mundial, como um dos impulsionadores.
Além disso, a alta nos preços do petróleo tem um impacto direto na produção de açúcar. O petróleo mais caro pode incentivar as usinas de cana-de-açúcar a priorizar a produção de etanol, um biocombustível, em detrimento da fabricação de açúcar, o que naturalmente reduz a oferta.
Índia prorroga prazo de importação e contribui para cenário de alta do açúcar
Outro fator relevante é a decisão da Índia, maior consumidora e segunda maior produtora de açúcar do mundo, de prorrogar o prazo para a importação isenta de impostos de 1 milhão de toneladas métricas de açúcar bruto. O novo prazo estendido vai até 31 de dezembro, concedendo mais tempo para os importadores trazerem a commodity ao país.
Os preços do açúcar na própria Índia têm disparado, em grande parte devido às chuvas abaixo do normal registradas durante a monção, uma consequência direta do El Niño. O açúcar branco também refletiu essa tendência, subindo 0,2%, a US$534,80 por tonelada métrica, apesar de ter acumulado uma perda semanal de 3,6%.
Café arabica e robusta sofrem desvalorização em meio a estoques baixos e real forte
Em contraste, o mercado de café registrou quedas. O café arabica fechou em baixa de 5 centavos, ou 1,6%, a US$3,0745 por libra-peso. Apesar de ter atingido uma máxima de seis semanas de US$3,1820 na quarta-feira, a commodity terminou a semana com alta de 0,6%.
O café tem sido sustentado por estoques extremamente baixos nas bolsas e pela força do real brasileiro. Um real mais valorizado desestimula os exportadores do Brasil, o maior produtor mundial de café, a vender o produto cotado em dólar, pois isso reduz seus retornos em moeda local. Os estoques de arabica na ICE continuam em níveis historicamente baixos, caindo novamente na sexta-feira para 227.978 sacas, perto do menor patamar em 27 anos.
Operadores de mercado também estão atentos à eleição presidencial no Brasil. Uma possível vitória do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, conforme indicam as pesquisas, pode consolidar novos ganhos para o real, impactando ainda mais os preços do café. O café robusta também sentiu o aperto, com queda de 1,8%, a US$3.242 a tonelada, e uma desvalorização semanal de 5%.
Cacau de Londres avança, enquanto Nova York permanece estável
No mercado de cacau, o contrato de Londres fechou com alta de 15 libras, ou 0,3%, a 4.311 libras por tonelada, após uma queda de 3,9% no dia anterior. Já o cacau de Nova York manteve-se praticamente inalterado, a US$5.592 por tonelada. Ambos os mercados registraram uma queda semanal de 1%.