Conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã aumenta incerteza global, eleva preços do petróleo e do ouro, e provoca queda de ações de luxo como Louis Vuitton, Gucci e Hermès
O aumento das tensões no Oriente Médio desencadeou uma forte aversão ao risco nos mercados, e o impacto apareceu em setores sensíveis ao consumo discricionário.
Investidores reduziram exposição a papéis considerados supérfluos, enquanto reforçaram posições em ativos vistos como proteção, como petróleo, dólar e ouro, pressionando grupos de luxo.
Os dados e relatos sobre as quedas e movimentos de mercado são provenientes de reportagem da eA, com informações de Diana Ribeiro, conforme informação divulgada pela eA, com informações de Diana Ribeiro.
Por que as ações de luxo caem em momentos de guerra
Em períodos de medo e incerteza, há um padrão claro, a fuga de investimentos de bens de luxo para ativos mais resilientes. Parte importante das vendas dessas marcas depende do turismo internacional e das vendas duty-free, e qualquer ameaça ao fluxo de turistas tende a reduzir receitas no curto prazo.
Além disso, crises geopolíticas que envolvem grandes potências ou que podem afetar rotas comerciais levantam dúvidas sobre o ritmo de crescimento na China, um mercado crucial para o setor. Com possível desaceleração do consumo chinês, as margens e os lucros das maisons podem cair drasticamente.
No pregão da segunda-feira, o conglomerado LVMH, responsável por marcas como Louis Vuitton e Sephora, fechou com recuo de 4,34%, com o preço da ação no patamar mais baixo desde o fim de setembro do ano passado, conforme a eA.
Também houve forte pressão sobre outras holdings, os papéis da Kering, dona de Gucci e Balenciaga, encerrou o dia com perda de 5,04%, enquanto Hermès desvalorizou 4% e L’Oréal retraiu 4,14%, segundo os números divulgados pela eA.
Quedas nas bolsas e alta das commodities
A aversão ao risco derrubou as principais bolsas globais, ao mesmo tempo em que o petróleo disparou e investidores buscaram proteção no dólar e no ouro, de acordo com a eA.
As bolsas europeias fecharam em queda acentuada, com Londres, o FTSE 100 caindo 1,20%, Frankfurt, o DAX recuando 2,42%, e Paris, o CAC 40 perdendo 2,17%. Em Milão, o FTSE MIB recuou 1,97%, e em Madri, o Ibex 35 caiu 2,65%. Em Lisboa, o PSI 20 caiu 0,04%, a 9.272,47 pontos, cifras preliminares citadas pela eA.
Na Ásia, a queda também foi generalizada, o Nikkei caiu 1,35% em Tóquio, o Hang Seng recuou 2,14% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi cedeu 1% em Seul, e o Taiex perdeu 0,90% em Taiwan, conforme a eA.
No Brasil, o Ibovespa operou em queda durante boa parte do pregão, mas teve perdas amenizadas pelo avanço da Petrobras, já que as ações das petrolíferas avançaram com a disparada do petróleo, relata a eA.
Riscos imediatos e pontos de atenção
Segundo a eA, o conflito começou após um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no último sábado, 28, ataques que, conforme a reportagem, mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei, e foram revidados por Teerã, o que interrompeu o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passam mais de 20% do petróleo global.
Com isso, a conjuntura traz riscos para logística e oferta de energia, e amplia a volatilidade dos preços do petróleo, um dos principais motores do movimento observado nas bolsas e na rotação de portfólios.
No curto prazo, o mercado deve monitorar a evolução do conflito, o impacto sobre as rotas comerciais, e sinais de alteração no consumo na China e no fluxo de turistas internacionais. Para o setor de luxo, a recuperação tende a depender da normalização do turismo e da confiança do consumidor.
Os números citados sobre recuos e índices são extraídos da cobertura da eA, com informações de Diana Ribeiro.