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Ações da Gucci Despencam 12% e Setor de Luxo Teme “Inverno Difícil” com Queda nas Vendas e Guerra

Kering, dona da Gucci, sofre queda de 12% nas ações em meio a preocupações com o setor de luxo

O grupo Kering, proprietário de marcas icônicas como a Gucci, registrou uma queda expressiva de 12% em suas ações na última sexta-feira. A desvalorização ocorreu após a divulgação de novas quedas nas vendas, um reflexo das dificuldades que o setor de artigos de luxo tem enfrentado globalmente.

A recuperação esperada para o mercado de luxo parece cada vez mais distante. Fatores como a expansão da guerra no Oriente Médio e medidas fiscais na China voltadas para os mais ricos têm pressionado os grandes conglomerados, que agora se preparam para um período de vendas mais desafiador.

Esses desafios foram evidenciados por eventos recentes, como os distúrbios em Paris, que afetaram vitrines de marcas de renome. A instabilidade política, tanto no exterior quanto em seu país de origem, representa um risco considerável para o segmento de luxo, conforme divulgado pelas fontes do conteúdo.

Pressão nos preços e demanda enfraquecida afetam grandes marcas

A situação se estende a outras gigantes do luxo. As ações da LVMH e da Hermès também apresentaram quedas, variando entre 1% e 1,5%. O aumento dos preços do petróleo agrava a pressão sobre as finanças das famílias, limitando o poder de compra para itens de alto valor, como bolsas e roupas de grife.

Harsharan Mann, gestora de carteiras globais da Aviva Investors, sugere que as marcas de luxo podem precisar repensar suas estratégias de precificação. “Se os preços ainda estiverem um pouco fora da realidade ou se o consumidor ainda achar que os preços são altos demais para aceitar, então você pode ter a melhor criatividade, mas será que o consumidor vai se interessar pelo produto?”, questionou ela, indicando a necessidade de maior atratividade para os produtos.

Gucci luta para reverter cenário de declínio nas vendas

A Gucci, em particular, continua a enfrentar obstáculos em seu plano de recuperação. Apesar das iniciativas do presidente-executivo Luca de Meo para tornar os preços mais acessíveis à classe média e do lançamento da coleção “Primavera”, as vendas da marca apresentaram uma queda de 6% no geral, com melhora apenas no segmento atacadista.

Chiara Battistini, analista do JPMorgan, comentou que o progresso na atratividade da marca ainda está em estágio inicial. O diretor financeiro da Kering admitiu que a recuperação será “gradual”, apontando o baixo fluxo de clientes, especialmente na China, como o principal desafio a ser superado.

Hermès também sente o impacto da desaceleração chinesa

Nem mesmo a Hermès, conhecida por sua solidez, está imune à desaceleração. Sua divisão de prêt-à-porter registrou uma queda de 2% no terceiro trimestre, impulsionada pela demanda fraca na China. No geral, a Hermès apresentou seu menor crescimento trimestral de vendas desde 2020, evidenciando a amplitude dos desafios enfrentados pelo setor de luxo.

A Kering planeja acelerar o fechamento de lojas, com a meta de encerrar 125 unidades até o final do ano, em uma tentativa de otimizar suas operações diante do cenário adverso. A expectativa é de um “inverno difícil” para os conglomerados de luxo.